Memória curta

MEMÓRIA CURTA
Por Daniel Fucs (Vice-Presidente da CBBoxe) www.cbboxe.com.br

Após o combate do brasileiro Acelino “Popó” Freitas com Juan Diaz, nas últimas semanas muito se falou sobre a luta e também a respeito do boxeador brasileiro. O signatário deste texto, por vários motivos que não vêm ao caso agora, não tem o hábito de freqüentar fóruns de boxe na Internet. Entretanto, recentemente, por um daqueles momentos de exceção que acontecem no cotidiano de qualquer um, foram acessados fóruns em que os participantes escreviam sobre a derrota de Popó.

Mais do que a surpresa pelo que estava escrito, ficou a indignação pela forma com que o boxeador brasileiro é retratado atualmente. É assombrosa a maneira como Popó é avaliado. Ninguém tem obrigação de admirar o estilo do brasileiro ou mesmo a forma como ele conduziu sua vida profissional. Mas negar as evidencias com relação ao sucesso internacional do pugilista é fato tão espantoso quanto o pensamento ofensivo sobre o ser humano Acelino Freitas. É fácil entender que a inveja faça com que o raciocínio de alguém fique afetado com o sucesso de outro, mas esconder a realidade é no mínimo demonstrar ma fé na divulgação de opinião.

No amadorismo, depois de ter sido várias vezes campeão brasileiro, Popó conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata 1995. No profissionalismo venceu as disputas do título brasileiro e no México do Boxino, torneio em que vários boxeadores do Brasil foram levados para serem coadjuvantes e acabaram por estragar a festa dos mexicanos. Nos Estados Unidos, Popó foi campeão online gambling australia da NABO Organização Norte-Americana de Boxe e campeão mundial pela WBO Organização Mundial de Boxe e WBA Associação Mundial de Boxe. Foram quatro títulos mundiais conquistados, em duas categorias de peso distintas. Consagrado Super Campeão tanto pela WBO como pela WBA. É o sul-americano com mais vitórias seguidas por nocaute nas primeiras lutas – 29 no total.

Venceu combates contra adversários considerados favoritos como, por exemplo, o campeão olímpico Joel Casamayor e o russo Anatoly Alexandrov. Isso tudo, sem falar nas dificuldades que o boxeador teve nos períodos de infância e adolescência, ou mesmo nos projetos sociais que organiza / patrocina.

É por isso que causa esta estranha sensação de injustiça a leitura de tanta bobagem sobre Popó. Mas num país onde há quem esteja preocupado em desinformar que lutar com hepatite não faz mal ao próprio boxeador (haja fígado), até se entende que seria muito esperar do cidadão comum a ignorância sobre a carreira e vida de um atleta.

No entanto, o que não se compreende é o ataque ao homem Acelino Freitas. A memória curta é algo comum no ser humano. As deficiências de conhecimento sobre o boxe ou sobre a vida de alguém também o são. Mas a falta de caráter é algo indesculpável. Independentemente de o atingido ser um herói num país de tão poucos ídolos esportivos fora do futebol.

Daniel B. Fucs – Vice-presidente da CBBoxe
1/06/2007

 

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